Cupim destrói em silêncio. Quando o dano aparece — um rodapé que cede, uma porta que empena, um pó fino embaixo do móvel — a colônia já está estabelecida há meses. E antes de tratar, é preciso saber com qual você está lidando, porque o método muda por completo.
Cupim de madeira seca
Vive dentro da própria peça de madeira e não precisa de contato com o solo. Instala-se em móveis, batentes, rodapés, forros e estruturas de telhado.
O sinal característico: um pó fino, parecido com serragem ou grãos de areia, que se acumula embaixo do móvel ou do batente. São os grânulos fecais que a colônia expulsa por pequenos orifícios. Se você limpa e o pó reaparece em poucos dias, a colônia está ativa.
Outro indício é a madeira que soa oca ao ser batida, mesmo com a superfície aparentemente intacta — o cupim consome de dentro para fora e preserva uma casca fina.
Cupim de solo (subterrâneo)
Vive no solo e sobe até a madeira por caminhos que ele mesmo constrói. É o mais destrutivo dos dois, porque a colônia é maior e fica fora do imóvel.
O sinal característico: os túneis de terra — canaletas estreitas de barro subindo por paredes, muros, pilares e fundações. Servem para proteger o cupim da luz e da desidratação no trajeto entre o solo e o alimento.
Encontrar esses túneis é praticamente diagnóstico fechado. Quebrá-los sem tratar a colônia só faz o cupim reconstruir por outro caminho.
E a revoada?
Aquele enxame de insetos alados que aparece perto das lâmpadas, geralmente no fim da tarde e em períodos quentes e úmidos, é a fase reprodutiva. As asas caídas pelo chão no dia seguinte são a assinatura.
Revoada dentro de casa indica colônia madura por perto — dentro ou muito próxima do imóvel. É um sinal para agir, não para esperar.
Por que o tratamento muda
No cupim de madeira seca, o tratamento é localizado: alcança as peças atacadas, onde a colônia inteira está.
No cupim de solo, tratar apenas a madeira não resolve nada — a colônia continua no terreno e volta. O trabalho envolve o solo e o perímetro, e é dimensionado à construção.
É por isso que uma vistoria séria não pergunta só “onde tem cupim”, mas procura os túneis, examina o pó e avalia a estrutura. Aplicar o método errado gasta dinheiro e deixa a colônia intacta.
Na dúvida entre os dois tipos, a vistoria fecha o diagnóstico.
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